BORGES, Rebecca; NASCIMENTO , Vitória Caroline Gonçalves; JIMENEZ , Érica Kitazono Antunes; BARBOZA, Roberta Sá Leitão; NEVES, Frederico Monteiro. Mudanças Climáticas e Resiliência Socioecológica: Percepções de Comunidades Tradicionais em Reservas Extrativistas Marinhas Brasileiras. Fronteiras – Journal of Social, Technological and Environmental Science, [S. l.], v. 14, n. 2, p. 150–167, 2025. DOI: 10.21664/2238-8869.2025v14i2.p150-167. Disponível em: https://periodicos.unievangelica.edu.br/index.php/fronteiras/article/view/7606. Acesso em: 26 jul. 2025. https://doi.org/10.21664/2238-8869.2025v14i2.p150-167
Comunidades tradicionais costeiras estão entre as mais vulneráveis às mudanças climáticas, ainda que não tenham contribuído para o surgimento desse fenômeno, demonstrando uma das facetas da injustiça climática. Para combater essa injustiça são necessárias políticas públicas que promovam a adaptação climática, com base em arranjos de governança locais existentes, como unidades de conservação a que essas comunidades estejam ligadas. É essencial entender as percepções dessas comunidades quanto às mudanças climáticas e aos instrumentos de manejo disponíveis. Este estudo analisa as percepções relacionadas a diversos aspectos da emergência climática em comunidades tradicionais das Reservas Extrativistas Corumbau, Bahia, e Caeté-Taperaçu, Pará, com base na análise de entrevistas semiestruturadas, realizadas em 2021 e 2022, que abrangeram temas como sensibilidade social e ecológica, políticas públicas, e capacidade adaptativa. Os resultados mostram que essas populações reconhecem a importância e consequências negativas desse fenômeno, ainda que não articulem uma definição precisa do termo “mudanças climáticas”. Para essas populações os impactos das mudanças do clima incidem sobre o seu sustento e o arranjo atual de manejo não representa os seus interesses como atores locais. A partir dessa pesquisa percebe-se a inexistência de uma atuação mais apropriada do poder público na promoção de diálogo entre os diferentes tipos de conhecimento e na construção de estruturas de apoio em casos de emergência. Faz-se necessário, no contexto de implementação de políticas públicas de adaptação, considerar estruturas socioeconômicas, entendendo como as informações circulam e como os conceitos emergem e são articulados nos espaços de formulação de instrumentos de adaptação às mudanças climáticas.
Climate Change and Socioecological Resilience: Perceptions of Traditional Communities in Brazilian Marine Extractive Reserves
Traditional coastal communities are among the most vulnerable to the effects of climate change, despite having played no role in its emergence. This illustrates one of the key dimensions of climate injustice. To address this injustice, it is essential to implement public policies that facilitate climate adaptation, grounded in existing local governance structures, such as conservation units to which these communities are connected. It is crucial to comprehend these communities’ perceptions of climate change and the available management tools. This study analyzes the perceptions of traditional communities in two Extractive Reserves (RESEXs): Corumbau, Bahia, and Caeté-Taperaçu, Pará, regarding various aspects of the climate emergency. The analysis is based on the results of semi-structured interviews conducted in 2021 and 2022. The interviews covered topics including social and ecological sensitivity, public policies, and adaptive capacity. The findings indicate that these communities recognize the significance and adverse effects of climate change, although they do not provide a precise definition of the term. For these populations, the impacts of climate change affect their livelihoods, and the current management arrangement does not represent their interests as local actors. The research findings indicate a clear deficiency in the actions of public authorities to facilitate dialogue between diverse forms of knowledge and to establish support structures in the event of emergencies. In the context of implementing public adaptation policies, it is essential to consider the socio-economic structures and the processes through which information is circulated and concepts are developed and articulated in the spaces where climate change adaptation instruments are formulated.
